Brahea armata a palmeira azul do México

Por Gustaaf Winters
INTRODUÇÃO:
Um pouco antes do mundo se informatizar, um pouco antes do scanner e do Google imagens, eu tinha um patrimônio exclusivo de fotos de plantas, todas em slides. Aliás, possuo até hoje, porém sem a conotação de exclusividade, visto que é só digitar um nome científico num site de busca por imagens e lá estão: milhares delas. E as plantas são nosso material de construção. Elas são, para nós paisagistas, o que os remédios representam para os médicos. Quanto mais plantas conhecermos, mais fácil e rápido ficam os nossos projetos. Assim, eu costumava viajar acompanhado de minha máquina fotográfica, para aumentar meu conhecimento sobre plantas ornamentais.
Numa das “mochiladas” que dei pela Europa, especificamente em 1985, fui parar na cidade italiana de San Remo. Já na estação de trem, procurei por um mapa da cidade, como sempre faço, para ir direto aos lugares que me interessavam: as praças, os parques, os zôos e os jardins botânicos. Não foi preciso ir muito longe. Perto dali, havia uma pracinha que mais parecia um estacionamento de lambretas. Mas, que privilégio tinham essas lambretas! Ficavam na sombra de um conjunto de palmeiras lindíssimas. Uma folhagem azulada, num leque, que quase desaparecia de tantos cachos de flores. Verdadeiras cachoeiras de flores saiam do meio de suas copas atingindo o chão. Um espetáculo que acabou gravado num filme inteiro da minha máquina fotográfica.
Muitos anos se passaram e nenhuma bibliografia me ajudava a classificar aquela palmeira. Nenhum botânico ou sistemata se atrevia a dar um palpite.
Em 2004, fui convidado a dar uma palestra em Belém do Pará. Fiquei sabendo, numa conversa de boteco, que havia um horto da ALBRÁS com uma coleção fantástica de palmeiras. Fui até lá, na esperança de encontrar a tal palmeira de San Remo, cuja imagem nunca saíra da minha cabeça. Não encontrei a palmeira almejada. Mas, encontrei sim, um senhor apaixonado por palmeiras chamado Luiz Sérgio Coelho Cerqueira. Ele me contou duas grandes novidades. Uma que, no dezembro daquele ano, iria ser editado novamente o livro sobre “Palmeiras” pela Editora Plantarum e que ele era um dos consultores contratados pelo Dr. Harri Lorenzi. A outra novidade é que finalmente alguém e, nada mais que ele, classificou a minha palmeira fotografada há quase 20 anos antes. Chamava-se cientificamente de Brahea armata. Dois anos depois, em novembro de 2006, recebo a melancólica notícia de que meu famoso sistemata falecera por conta de um infarto. Obrigado Luiz Sérgio: a Brahea armata, como nenhuma outra pupila, sempre chorará lágrimas de flores por você.
 

CARACTERÍSTICAS DA ESPÉCIE:

-Nome científico: Brahea armata. Antiga B. roezlii e Erythea armata.

-Nomes populares: Por enquanto.... “Leque azul do México” Mas, podem dar outras sugestões.
Característica principal: Palmeira de folhagem em leque, azulada e, enormes cachos de flores que atingem quase o chão.

-Origem: México, América central e sul dos EUA

-Florescimento: Verão. Começa a florescer após 15 - 20 anos. Depois desse período, floresce todos os anos.

-Frutos: Coquinho pequeno de cor marrom que se formam meses depois do florescimento.
-Folhas: Limbo de 60 a 70 cm, com 40 a 50 folíolos sulcados e colados formando um leque. Na base do pecíolo ocorrem espinhos. É recoberto por uma fina camada oleosa que confirma a sua cor azulada.

- Ambiente: Sol pleno. Em estado nativo cresce junto a cactos como: o Cereus, a Opuntia, a Yucca e o
Dasylirion.

-Clima: Embora nativa de clima mais árido, se adapta a qualquer clima. Suporta até temperaturas abaixo de zero. Adaptou-se muito bem em toda a orla Mediterrânea.

-Solo: Prefere solo drenado. Adaptaria-se tanto nos solos do cerrado como no cascalhento agreste. Resiste à salinidade e a maresia do litoral também.

-Crescimento: Lento. Esse é um fator contra os ansiosos. Mas, seu incomparável aspecto, quando adulto, compensam a espera.

-Reprodução: Por sementes. Germinam em 3 a 4 meses. Abundantes no outono.

Onde encontrar: Por enquanto não conheço nenhum exemplar no Brasil. Quem souber, me fala. Mas, taí uma oportunidade: importar suas sementes e começar o seu cultivo.

   
   

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