Uma rara TERMINALIA

Por Gustaaf Winters

Introdução:

Minha cabeça não para! Do lado esquerdo vai para o lado direito. E volta! E vai! E volta!  Como se eu estivesse assistindo uma partida de tênis, ou uma de ping-pong. Às vezes até o corpo se estica e torce junto, ajudando a cabeça e o pescoço, que nessa hora deve estar se perguntando: “Ôh! véi !!!...na boa...que que cê tá procurando”? Enigmático? Nem tanto: acho que todos já passaram por isso quando se está sentado num veículo no banco do carona. Ou não?

Algumas pessoas ficam até com dor de cabeça pois leem tudo o que está escrito nos muros, nos caminhões-baú, nos outdoors e nos back lights. E porque fizeram e fazem isso? É fácil explicar: é porque sabem ler e pronto!

Não dá para olhar para uma letra ou uma frase sem ler o que está escrito. 

E nesse momento eu quero aproveitar o “gancho” para fazer uma observação. Um jardim, uma praça, um parque se escreve com duas coisas somente: elementos arquitetônicos e elementos vegetais. São lugares onde não se devem colocar plaquinhas com frases do tipo: “não pise na grama”. Principalmente porque se trata da única vegetação pisoteável que temos no Paisagismo. E fica difícil convencer um brasileiro a não pisar na grama, sendo que somos penta campeões num esporte que é praticado num gramado....e de chuteiras! Voltando ao nosso assunto....Eu sou uma pessoa que fica, não olhando o que está escrito, mas, fico observando a vegetação. Quero ver planta!..... 

Planta!  É ali, no banco do carona....do passageiro que eu viro um voyeur de plantas. É quando não preciso me preocupar com o trânsito, é quando me delicio do momento mágico de escanear cada planta que passa pelo carro, ou o carro passa pela planta. 

E se eu não souber o nome daquela planta que acabei de passar, fico muito frustrado.

Foi assim que aconteceu, quando estava em Foz do Iguaçu, acompanhando um técnico da Prefeitura local. Para ele, que estava dirigindo, devia ter sido “um saco”! Me perguntou até se eu tinha “pobrema”! Tipo esquizofrenia, ou coisa parecida, pois, falo em bom tom o nome científico de cada exemplar que passa por mim. É assim que eu estudo plantas. Cada louco com a sua mania, némemo? 

Anda pra lá, vira pra cá, visita mais uma praça, mais um bairro, mais uma avenida. E eu só escaneando.

Monótono, pensei comigo mesmo. Nada de diferente. Isso cansa viu! Mas,...de repente gritei: “Pára” para, para, para!!!!!  Pé no freio. Barulhão de freada. E uma buzinada de quem estava logo atrás da gente, que nos brindou com o famoso; “Aí cabeção!!! Tirou a carta via WhatsUpp??? 

Que foi?... perguntou me atormentado o técnico condutor? Quase bateram na bunda do meu carro!  Encosta aí, respondi. Vai um pouco mais pra trás! Vai você, retrucou ele. Ainda tô tremendo com o susto que levei. Peguei a minha máquina e fui ao encontro “dela” caminhando pela calçada. 

Olha só o que eu vi. Caraca! Que árvore seria essa? 

“Ficus devendus” da família das “nãoseibáceas”, como costumo brincar, quando me perguntam o nome de uma planta estranha. De dentro do carro, ela me chamou a atenção pelo brilho da folhagem. Chegando mais perto, percebi que se tratava de uma mistura de folhagem espatulada, misturada com oblanceolada, meio gordinha, meio não. Poucas nervuras saiam da nervura principal. 

Movido pela incontrolável curiosidade, tomei coragem e bati palmas à frente da casa, esperando que proprietário me pudesse dar alguma santa informação. Nada! Foi aí que o técnico me informou que a tal árvore teria vindo do Japão, conforme teria ouvido. Informação que pouco me ajudou também.

De volta pra casa, comecei minha maratona pelas minhas chaves de identificação e livros, assim como pela web. Bingo! Achei. Era, na verdade um parente do nosso famoso “chapéu de sol”, que também atende por uma avalanche de nomes populares, entre elas: “sete copas”, “castanheira da praia”, “sombreiro”, “castanhola”, "amendoeira"... Tudo para identificar a mesma árvore, cuja classificação botânica é Terminalia catappa .  

Essa, no entanto era uma Terminalia sericocarpa. Agora ficou fácil achar o resto. Fácil nada!

Alguns botânicos também a chamam de Terminalia microcarpa (aquela da Nova Guiné, Malásia, Indonésia e Austrália) como sendo sinônimo. Não vou entrar nessa briga. De repente eles podem até ter razão. Essa, com certeza, é nativa nas áreas costeiras do norte da Austrália. Como o conhecido “chapéu de sol”, ela também é decídua, ou seja: se despe da folhagem no inverno. Antes de cair, as folhas se tingem de vermelho, como as que existem por aqui. Pertence à família das Combretáceas, com poucos representantes nativos.


              Flor                                                   Fruto
DADOS CIENTIFICOS:

- Nome científico: Terminalia sericocarpa
- Nome popular: Por aqui ainda não possui. Sugestão: “chapéu de sol da folha pequena”
- Origem: Norte da Austrália, na via costeira, entre 0 e 750 m de altura
- Porte: De 8 a 15 m de altura e 5 a 10 m de diâmetro da copa. 
- Crescimento: Moderado. Cresce mais para cima do que para os lados.
- Folhas: Caducas, obovadas, com 6 a 13 cm de comprimento por 6 de largura
- Flores:  Inflorescência com cachos axilares, verde pálidos, abril e dezembro.
- Frutos: Ovoides, tipo ameixa, comestíveis. De 13-18 mm de comprimento por 8-10 mm de largura. Suas sementes são tóxicas, principalmente quando verdes.
- Solo: Prefere os solos arenosos litorâneos e bem drenados. Pouco exigente em nutrientes.
- Clima:Tropical e Sub- Tropical
- Reprodução: Por sementes
- Uso: Árvore excelente para o litoral brasileiro, assim como para uso em praças e parques. Aprecia o clima do litoral, pois suporta bem a salinidade do solo e a maresia. Pode também ser empregada no interior do País, desde que esteja no sol direto, longe de lugares onde ocorrem geadas.

Para os interessados em adquiri-la, já informamos que se trata de uma "mosca branca" portanto não sabemos quem a produz. Quem tiver esta informação, favor nos comunique: contato@centropaisagistico.com.br 

   

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